O anúncio do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas provocou manifestações de pré-candidatos à Presidência da República nesta quinta-feira (28). A medida foi divulgada oficialmente pelo Departamento de Estado norte-americano e ampliou o debate político sobre segurança pública, soberania nacional e combate ao crime organizado.
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De acordo com o governo americano, as duas facções figuram entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil, sendo apontadas como responsáveis por ataques contra agentes de segurança, autoridades públicas e também civis.
A decisão veio à tona dois dias após o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Palácio do Planalto, se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o parlamentar, Rubio demonstrou apoio à classificação das facções brasileiras como grupos terroristas.
Semanas antes do anúncio oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca, em Washington. Conforme relatado por Lula após o encontro, a possibilidade de enquadrar facções brasileiras como organizações terroristas não entrou diretamente na pauta da reunião.
Ainda segundo o presidente brasileiro, apesar de o assunto não ter sido tratado de forma específica, o Brasil reforçou ao governo americano a intenção de ampliar o enfrentamento ao crime organizado e sinalizou disposição para colaborar em uma força-tarefa internacional voltada ao tema.
Confira o posicionamento dos presidenciáveis
O presidente Lula criticou nesta sexta-feira (29) a decisão do governo americano de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O petista declarou estar “triste e decepcionado” com o anúncio e reforçou que o combate ao crime organizado deve ocorrer internamente. “Vamos combater o crime organizado. Não aceitamos ser tratados como moleques”, disse o presidente.
Lula afirmou ainda que PCC e CV aterrorizam moradores das periferias brasileiras, pois “incomodam famílias, bairros e cidades”. Apesar disso, declarou que as facções não representam “os terroristas que o Trump quer”.
Durante a declaração, o presidente também cobrou dos Estados Unidos a entrega de brasileiros considerados foragidos e que, segundo ele, estariam vivendo em território americano. Lula mencionou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro. “Quer combater o crime organizado, me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, afirmou.
Pouco antes da fala presidencial, o Palácio do Planalto divulgou nota oficial defendendo que medidas unilaterais sem articulação entre os países podem enfraquecer o combate às organizações criminosas, dificultar a troca de informações entre forças policiais e gerar impactos no sistema financeiro brasileiro. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, afirmou o governo federal.
Já o senador Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que atribuiu a si parte da articulação da medida e fez críticas diretas ao presidente Lula. Afirmou que Lula “foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor de CV e PCC” enquanto ele buscou o reconhecimento das facções como grupos terroristas.
“Um em cada quatro brasileiros mora em áreas dominadas por esse Estado terrorista, ou seja, não possui soberania nem dentro das suas próprias casas”, disse.
O senador também agradeceu publicamente ao presidente Donald Trump e ao secretário Marco Rubio. “Agradeço ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado, Marco Rubio, por atenderem rapidamente ao meu pedido em nome do povo brasileiro”, afirmou.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também comentou a decisão nas redes sociais e criticou o posicionamento do governo federal. “Vocês viram, gente, o governo americano acaba de classificar como terroristas as organizações criminosas do PCC e do Comando Vermelho. E o Lula os classifica como vítimas dos usuários de drogas”, disse.
Caiado declarou ainda que gostaria de ter tomado iniciativa semelhante caso já estivesse na Presidência da República. “A única frustração minha é que não cheguei à Presidência da República para que eu tomasse essa iniciativa, que pudesse mostrar para o mundo que no comando de Caiado realmente não teria espaço para corrupto e muito menos para faccionado no território brasileiro”, declarou.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também se posicionou
favoravelmente à decisão dos Estados Unidos. Segundo Zema, PCC e Comando Vermelho já atuam como organizações terroristas no Brasil. “O PCC e Comando Vermelho são facções terroristas. Precisou o governo americano reconhecer isso em vez do governo Lula e do PT. Uma vergonha”, afirmou.
Zema também rebateu argumentos ligados à soberania nacional e à possibilidade de interferência estrangeira no Brasil. “O PT diz que tratar facção como terrorismo ameaça a soberania do Brasil. Que isso facilita uma intervenção americana no Brasil. Peraí, como assim? Quem ameaça a nossa soberania é exatamente o PCC e o Comando Vermelho”, disse.
O governador mineiro ainda elogiou a atuação de Flávio Bolsonaro nas articulações junto ao governo americano. “A colaboração americana é muito bem-vinda e o Flávio foi capaz de fazer aquilo que o Lula já deveria ter feito há muito tempo”, declarou.
Créditos: Com informações – G1
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