No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, o protagonismo feminino ganha destaque no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Santa Catarina. As mulheres estão presentes em praticamente todas as frentes do serviço: nas Centrais de Regulação, no transporte inter-hospitalar, nas motolâncias, no Aeromédico e nas Unidades de Suporte Básico e Avançado. Elas atuam desde funções de higienização e condução de ambulâncias até cargos estratégicos, como supervisão, coordenação operacional, atuação médica e direção-geral do serviço de Suporte Avançado.
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“O SAMU tem muito orgulho de contar com a força de trabalho da mulher. Ninguém entende tanto de cuidado quanto elas, que estão presentes em todos os ambientes. Sua determinação demonstra que o espaço feminino está mais do que garantido no serviço de urgência. Santa Catarina é o Estado mais seguro para se viver, e não é por acaso. A força dessas profissionais impulsiona ainda mais o trabalho do SAMU em prol da vida e do acesso aos serviços de saúde”, destaca o diretor do Atendimento Pré-Hospitalar Móvel (APH), Dionísio Medeiros.
Na rotina das ocorrências, a condutora socorrista Juliana Pereira, de 54 anos, é uma das 17 mulheres que exercem essa função em todo o estado. Atualmente, duas atuam em Unidades de Suporte Avançado (USA) e 15 em Unidades de Suporte Básico (USB) — um espaço historicamente dominado por homens, mas que vem sendo transformado pela competência e determinação feminina.
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Foto: Juliana Pereira/Divulgação SES |
Antes mesmo do amanhecer, Juliana já organizou a rotina da família e se prepara para um plantão de 12 horas na Unidade de Suporte Avançado de Lages. Mãe de três filhos e avó de três netos, ela soma quatro anos de atuação no SAMU e 26 anos como bombeira comunitária. A resistência que enfrentou no início da carreira acabou se transformando em motivação. “Não somos exceção. Somos capacidade, preparo e força. Meu foco sempre foi trabalhar na USA e hoje me sinto feliz e realizada por tudo que conquistei”, afirma.
Entre as ocorrências marcantes, Juliana lembra do atendimento a uma mulher sob efeito de drogas e gravemente ferida, quando ainda atuava como condutora em uma USB. Com escuta ativa, respeito e calma, conseguiu estabilizar a paciente e conduzi-la até a ambulância. O gesto rendeu aplausos e uma frase que nunca esqueceu: “Uma mulher faz diferença nessas horas”.
Além do trabalho no SAMU, Juliana também atua na Central de Emergência 193 do Corpo de Bombeiros, regulando viaturas e atendendo chamados relacionados a incêndios e outras situações de risco. Foi justamente ali que iniciou sua trajetória no atendimento de emergências. Ao longo dos anos, acumulou diversas formações, incluindo cursos de guarda-vidas e outras capacitações técnicas.
Antes de ingressar definitivamente na área, ela chegou a trabalhar como gestora de loja. “Andava de salto alto e roupas sociais, mas não me sentia feliz. Quando a ambulância básica do SAMU começou a atuar junto ao quartel dos Bombeiros, tive certeza de que era aquilo que queria e abracei de vez essa vocação”, relembra.
Desafios
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Foto: Mariana Fernandes/Divulgação SES |
No SAMU desde 2018, a enfermeira Mariana Fernandes, de 30 anos, reconhece que ainda existem desafios. “Enquanto os homens muitas vezes são reconhecidos imediatamente como autoridade, nós ainda precisamos reafirmar nosso espaço. Sigo firme e profissional, porque sei quem sou e o que represento”, afirma. Para ela, a jornada vai além de dar conta das tarefas do dia a dia. “É sobre seguir com propósito e consciência do nosso papel”, destaca.
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Foto: Cíntia Tamellini/Divulgação SES |
Com 12 anos de atuação no serviço, a médica Cíntia Tamellini, de 46 anos, ressalta que nas emergências o que realmente importa é a resposta rápida e qualificada. “As pessoas se sentem aliviadas com a chegada do socorro, independentemente de ser homem ou mulher”, comenta. Ela optou por reduzir a carga de trabalho para dedicar mais tempo à filha de 7 anos. “Escolhi trabalhar menos e ganhar menos, e consigo dar conta de tudo”, acrescenta.
A diretora-geral do SAMU/FAHECE, Carla Birolo Ferreira, destaca que a presença feminina no serviço é cada vez mais significativa. “Hoje, as mulheres representam 53% da força de trabalho no atendimento avançado. A atuação na linha de frente exige conhecimento técnico, coragem, empatia e compromisso com a humanização do cuidado. Que cada vez mais mulheres se sintam motivadas a fazer parte do SAMU”, reforça.
Fonte: SAMU/FAHECE
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