Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, morreu na noite de quarta-feira (4) após permanecer internado em um hospital de Belo Horizonte. O investigado estava sob custódia da Polícia Federal quando atentou contra a própria vida. De acordo com o protocolo médico adotado no Brasil, a confirmação de morte cerebral é legalmente considerada óbito.
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A prisão de Mourão ocorreu na manhã do mesmo dia durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Na ocasião, ele já figurava como réu em processos que investigam crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O caso rapidamente ganhou repercussão nacional devido às suspeitas envolvendo acesso irregular a sistemas restritos e atuação em um grupo investigado por diferentes práticas ilegais.
Investigação aponta atuação em grupo chamado “A Turma”
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou a existência de um grupo denominado “A Turma”, que reuniria diversos integrantes com funções específicas dentro da organização.
Entre os nomes mencionados nas apurações estavam Mourão e o empresário conhecido como Vorcaro.
Segundo a PF, “Sicário” desempenhava um papel estratégico dentro da estrutura investigada.
Conforme relatado pelos investigadores, ele seria responsável pela coordenação de atividades de inteligência, que incluíam monitoramento de indivíduos, coleta de informações e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses da organização.
De acordo com a polícia, o investigado realizava consultas e extrações de informações em sistemas restritos pertencentes a órgãos públicos.
Essas bases de dados incluiriam plataformas utilizadas por instituições de segurança pública e setores responsáveis por investigações policiais.
Ainda conforme a apuração, Mourão teria acessado indevidamente sistemas da própria Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Além disso, há suspeitas de que também tenha consultado bases ligadas a organismos internacionais de segurança, como FBI e Interpol.
As investigações também apontam que ele teria atuado na remoção de conteúdos e perfis em plataformas digitais.
O objetivo dessas ações seria tanto obter informações sobre usuários quanto retirar do ar publicações consideradas críticas ao grupo. Paralelamente, Mourão teria desempenhado funções de coordenação e mobilização das equipes responsáveis por diferentes atividades da organização.
Esquema de pirâmide e suspeita de agiotagem
Além das suspeitas ligadas à organização criminosa, o Ministério Público de Minas Gerais apresentou denúncia contra Luiz Mourão por envolvimento em um suposto esquema de pirâmide financeira. Segundo o órgão, entre junho de 2018 e julho de 2021 foram movimentados cerca de R$ 28 milhões em contas bancárias associadas a empresas ligadas ao investigado.
De acordo com a acusação, o objetivo do esquema seria atrair investidores por meio de promessas de ganhos financeiros.
O Ministério Público também sustenta que houve movimentações suspeitas entre pessoas jurídicas, o que indicaria tentativa de ocultar a origem dos recursos.
“A triangulação de valores através de pessoas jurídicas constitui movimento típico de lavagem de dinheiro, in casu com a ocultação dos valores provenientes, direta ou indiretamente, dos crimes contra a economia popular perpetrados”, diz a denúncia.
As investigações indicam ainda que, antes de participar do suposto esquema, Mourão atuava como agiota. Um relatório de inteligência da Polícia Militar de Minas Gerais analisou dados extraídos do celular apreendido com o investigado.
“A análise do aparelho celular pertencente a Luiz Phillipi Machado Mourão, identificado em conversas, revelou elementos que corroboram a investigação, mesmo diante de tentativas de ocultação de provas por meio da exclusão de conversas. O conteúdo extraído indica que o investigado exercia papel central e de liderança em uma organização criminosa, coordenando a atuação dos demais integrantes e gerenciando atividades ilícitas”, diz um trecho do relatório de inteligência.
De acordo com o documento, o suspeito ocupava posição de liderança, organizando ações e administrando as atividades ilícitas do grupo investigado.
Defesa se manifesta sobre o caso
Após a divulgação do caso, a defesa de Luiz Mourão afirmou que ele não apresentou sinais aparentes de problemas físicos ou psicológicos ao longo do dia em que ocorreu o episódio.
Segundo os advogados, a equipe jurídica só tomou conhecimento do ocorrido depois da divulgação de uma nota oficial atribuída à Polícia Federal.
Na manifestação, os defensores também mencionaram que o incidente teria sido relacionado a uma possível tentativa de autoextermínio.
Com informações Metrópoles
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