A história de vida de Emília Todescatt Scapin, natural de Gaurama, Rio Grande do Sul, é um testemunho de resiliência, trabalho e fé. Na terça-feira, dia 28 de outubro de 2025, a moradora do Distrito de Alto Alegre, interior de Capinzal, celebrou seu 97º aniversário, uma data marcada por uma bênção especial do Frei Ivo Lazzarotto, a convite de seus familiares.
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Nascida em 1928, Dona Emília remonta a uma infância de superação. Ela cresceu em uma grande família, sendo um dos 16 irmãos oriundos de uma família recomposta: seu pai era viúvo com cinco filhos, sua mãe era viúva com três, e eles tiveram mais oito filhos juntos. Ela relembra que a convivência era harmoniosa, e a diferença de parentesco era irrelevante; ela só soube que não eram todos "bem irmãos" depois dos 12 anos.
A jornada escolar era um sacrifício que ela encarava com alegria, pois o que a deixava mais feliz era estudar. A escola ficava a 4 quilômetros de casa, um trajeto que ela fazia a pé em estrada cascalhada, levando o próprio lanche, já que não havia transporte nem merenda. As brincadeiras da época refletiam a simplicidade da vida na colônia: não havia bonecas, e a diversão vinha de objetos simples como caixa de fósforo vazia ou cianinha de sapato.
Aos 19 anos, Dona Emília se casou. A mudança para Capinzal ocorreu em 1948, quando o casal comprou um pedaço de terra para trabalhar, em um município que tinha apenas duas lojas: a do Atílio Barizon e a do Sidério Baretta.
A vida de trabalho árduo na roça foi interrompida pelo maior desafio de sua vida: o falecimento do marido. Ele foi a óbito na mesa de cirurgia, onde segundo o que a família teve conhecimento, se tratava uma úlcera. Ela ficou viúva com cinco filhos pequenos, o mais velho com quase 11 anos e o caçula com apenas oito meses. A partir de então, Dona Emília precisou se desdobrar na roça, garantindo o sustento e incentivando os filhos a trabalharem, inclusive se deslocava para a cidade com galinhas para vender ou trocar por roupas.
A vida da colônia era de produção própria: tiravam leite, faziam o açúcar amarelo em casa e compravam apenas o branco e o café. As refeições eram robustas, à base de polenta, queijo, salame e galinha. Nos tempos de viúvez, os domingos eram dedicados a lavar roupa e à leitura da "história sagrada", mantendo até hoje o hábito de rezar bastante.
Dona Emília colhe hoje os frutos de sua dedicação, cercada por uma grande prole: são 5 filhos (Artemio, Geni, Elena, Adelmo e Adelino), 16 netos, 23 bisnetos e dois tataranetos. O conselho que ela deixa às novas gerações é um reflexo de sua longa trajetória: "A gente tem que ser honesta e trabalhar".
Fonte: Capinzal FM
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