Professores e uma diretora de uma creche localizada no município de Herval d'Oeste, no Meio-Oeste catarinense, estão sendo investigados pela Polícia Civil por maus-tratos contra crianças. Os relatos vão desde xingamentos até beliscões. Pelo menos dois boletins de ocorrência foram registrados na delegacia de polícia por uma conselheira tutelar e por uma mãe de aluno, acompanhada de advogado.
Conforme os relatos que constam na denúncia, e também segundo o advogado de uma das partes, João Vitor Rusky Miquelão, a descoberta partiu de denúncias de dentro da própria creche. "Uma servidora fez a denúncia de que outras servidoras maltratam as crianças, utilizando métodos não convencionais, como torções, puxões de orelha, violência psicológica e forçando crianças contra a cadeira", relata.
O Portal Eder Luiz teve acesso aos relatos, que são confidenciais. Em um deles, uma mãe releva que o filho, que é autista, contou que foi beliscado pela professora durante a aula. Conforme ela, o menino está apresentando comportamento agressivo e não quer mais ir à escola. Ela relata ainda que conversou com a diretora da instituição, que afirmou que a escola tomaria providências e interveria contra os atos.
No entanto, as denúncias recaem também sobre esta diretora. Em um dos boletins de ocorrência, é relatado um episódio em que ela pega uma criança de três anos e a força ficar sentada em uma cadeira do refeitório contra a vontade dela. Segue o relato que a diretora também disse para as estagiárias que esta deveria ser a forma de tratamento. Neste caso, o menino até acabou urinando na calça.
Em outro caso narrado, um aluno caiu, se machucou e acabou chorando. A professora mandou o menino engolir o choro e ficar na fila. Uma das estagiárias observou que ele estava inclusive com febre, mas a educadora a rechaçou, dizendo que não havia nada. Há denuncia de que esta mesma professora se abaixa na altura das crianças e olha diretamente nos olhos delas para intimida-los.
Entre outros relatos, uma destas professoras denunciadas puxou com força a perna de uma aluna. Ela também puxa outras crianças pelos braços. A denunciante também já viu esta mesma pessoa sacudindo as crianças seguidas vezes. Consta ainda nos boletins que crianças com febre não são assistidas com atenção e as professoras demoram a informar os pais. Uma criança se engasgou e vomitou, mas os pais não foram informados.
Segundo o advogado, que representa alguns pais, eles já estão identificando comportamentos estranhos dos filhos. Eles inclusive pediram para funcionários da escola ficarem de olho nas crianças. O fato está sendo investigado, onde procedimentos já foram adotados, como a comunicação ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público e à prefeitura. O próximo passo será pedir o afastamento das profissionais.
Fonte: Éder Luiz
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